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Otto Lara Resende: “Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos”

Na crônica “Vista cansada”, de 1992, o escritor foi preciso ao jogar luz sobre a nossa indiferença: “Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar”.